sexta-feira, 8 de Maio de 2009
"A Festa Verde"
É uma festa promovida para as escolas do agrupamento de Almada onde se pretende, supostamente diga-se, sensibilizar as criancinhas para questões ambientais. Depois de perceber as entranhas desta intenção, começo a ouvir barbaridades e subversões que me fazem irar. Dou Educação Ambiental a miúdos do 1º ciclo do Ensino Básico e a primeira abordagem, ou o primeiro objectivo, é o de desconstruir conceitos adoptados indevidamente sobre estas questões. Estes alunos percebem já, perfeitamente, que nós, comuns mortais, não reciclamos absolutamente nada. Antes, devemos reduzir e reutilizar o mais que pudermos e conseguirmos para, no fim, enviarmos produtos "recicláveis" para o processo de reciclagem! Antes destas questões que têm obviamente a ver com o ambiente transformado pelo Homem, tratámos de perceber que cuidar do ambiente ou ter atitudes ambientalmente sustentáveis passa por preservar e respeitar as espécies, poupar água, abolir o desperdício a diferentes níveis, não cometer excessos no consumo, etc. Maravilha! Ainda mais porque os miúdos nestas idades são uma esponja de conhecimento. Depois, vêm as alminhas dos seus professores titulares e operacionalizam uma verborreia de imbecilidades como: "Era giro construirmos um espantalho para a Festa Verde com um ninho verdadeiro na cabeça a servir de chapéu!" (Sim, porque não destruir um ecossistema porque fica giro enfeitar com coisas autênticas? Eu até sugeria que embalssemassemos a cegonha, dona do ninho, para criar impacto!)!E vou acalmar-me agora, porque estou grávida e não ganho o suficiente para me enervar com estas questões. O que me espanta é que estas questões ainda não são tratadas da forma séria que lhes é devida, antes se vivem como uma moda e uma questão menor, que, "para inglês ver", se operacionaliza e mascara apenas com trabalhecos manuais sem importância absolutamente nenhuma...e pior, por parte das nossas escolas! Sendo esta a década para o Desenvolvimento Sustentável e Educação Ambiental, segundo as coordenadas da UNESCO, ergo a minha indignação e sugiro que se batize este assunto com a importância e a magnitude que lhe é devida. E temos que passar aos nossos alunos todo o conhecimento que adquirimos e admitirmos todos os erros e golpes gravíssimos cometidos ao nosso planeta, agora bem "sujinho"! Deixemo-nos de fantochadas e espantalhos que subvertem totalmente o intuito daquilo que podia ser uma iniciativa totalmente proveitosa! Amén!
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