quarta-feira, 30 de Setembro de 2009
Da irreversibilidade
A casa está em silêncio. O Manel está a dormir, o Alexandre está no turno da noite, no último dia de trabalho antes de entrar de licença, os biberãos estão esterelizados, a água está quente no termo, eu tenho o pijama vestido. Estou pronta a esticar-me no sofá, tal como programado para hoje. Estico-me, espreguiço-me, mas tudo me parece artificial...este espreguiçar, esta programação toda sem o meu maridão! É tão estranho. Há muitos serões que não se proporcionava um assim. Quando o Alexandre está de turno, arranco para casa dos meus pais com o Manel ou para casa de amigos,tal como ontem, só para ter companhia. A miúda continua a precisar de estar rodeada de gente querida. Estou com o meu bebé maravilhoso, mas ele precisa descansar. Depois de matar todas as saudadinhas dele no regresso do trabalho, toca a tratar dele. Dar-lhe banho, dar-lhe de mamar, espetar-lhe um biberão cheio de leite e adormece-lo. Hoje, tudo isso já foi feito e estou em casa, prestes a relaxar...mas não consigo. Habituei-me a estar de sentinela. Mudei. Mudaram-me. Agora, não é assim do pé prá mão que se volta a conseguir fazer ronha no sofá, zapping sem sentido e adormecer sem preocupações! Sou outra querida, constato. E de seguida encaminho-me para o meu quarto, onde está o bercinho do Manel e debruço-me para me certificar de que dorme tranquilo...
sexta-feira, 25 de Setembro de 2009
Do conforto
Ontem houve tertúlia com as miúdas! Cada vez somos mais. São muito engraçados estes serões de quintas-feiras sem os rapazes, onde se conversa, se ri, se desbafa numa lógica comum...de mulher. E há, há mesmo muita diferença entre a lógica dos homens e a das mulheres. Penso que todas sentimos uma plataforma comum que gera conforto e descanso. Entendemo-nos na perfeição e tudo é bem fácil. Esta de ontem foi em minha casa. Pela primeira vez na casa nova, e foi especial por isso. Com o Manel a dormir, aderimos logo ao site No Menu, cousa bem confortável e atalhámos um jantar chinês. Com grande serenidade a noite avançou. Sabe-nos tão bem este ritual...
quarta-feira, 23 de Setembro de 2009
Da partilha
Logo antes do Manel nascer decidimos, eu e o Alexandre, partilhar a licença de maternidade. Eu ficaria os três primeiros meses de vida do bebé em casa e os outros dois ficaria o pai. A altura da troca chegou. As aulas já começaram e o Alexandre vai ficar em casa com o Manel. Nunca pensei que fosse tão difícil para mim. Estar a tempo inteiro às ordens de um bebé é duro. Muito desgastante e absorvente. Um bebé de meses exige e depende de nós para tudo. Apesar de o Manel já ter três mesinhos, e de já fazer sonos regulares e por períodos bem jeitosos é ainda muito pequenino. Parte-me o coração quando tenho que o deixar. Todos os dias, no trabalho sinto o coração bem pequenino e apertadinho de saudades! Quando saio venho a correr em alta birisga, parece que de uma emergência se trata. Chego a desrespeitar semáforos e a não ceder passagem nas passadeiras só para chegar minutos mais cedo ao pé do meu filhote! E não se trata de não confiar no pai. Longe disso, aliás. O Alexandre é espectacular. Chego à conclusão é que o coração de mãe não aguenta sem palpitar, não descanso enquanto estou longe dele. Talvez tenha que introduzir o hábito. Ou talvez nunca o integre e continue sempre, sempre a correr para o abraçar, para o apertar e para lhe espetar beijos bem intensos. Estou perdidamente apaixonada...por aqueles dois. Não descanso enquanto não chego a casa...
terça-feira, 22 de Setembro de 2009
De referir
...que a única forma de conseguir escrever este post e o post abaixo, é de mama de fora! A única forma de entreter o Manel quando está com a birra de sono. Tem que aprender a adormecer sozinho, o rapaz!
A minha avó paterna.
Finalmente, e que vergonha ser apenas agora, fomos apresentar o bisneto, já com 3 meses feitos,aos meus avós paternos! Organizou-se um almoço, com aquela galinha que só a minha avó sabe fazer e que todos os netos são fãs. Um luxo! Os meus avós já têm ambos 90 anos. Outro luxo! Estavamos à mesa e falava-se de política e dos representantes de cada partido A minha avó impressiona pelo interesse e actualidade que ao longo da vida sempre a caracterizaram! É com 90 anos e com tamanha lucidez que detecta erros na factura da PT e que procede a reclamação, é com 90 anos que considera uma vergonha os argumentos das novelas da TVI, é com 90 anos que critíca programas como os Malucos do Riso que tanto a arreliam. E surpreendente, quanto a nós, que com 90 anos valorize e ache muita piada ao RAP em especial na versão "Esmiuça os Sufrágios": "Muito inteligente, esse rapaz!". É brilhante, de facto, a minha avó. É caso mesmo para dizer que a actualidade e inteligência não escolhem idade!
segunda-feira, 21 de Setembro de 2009
Da rentreé
As aulas vão começar, e eu com as planificações super atrasadas. O desafio é o malabarismo de conseguir entreter os miúdos com converseta sobre comportamentos ambientalmente sustentáveis. Não sei quanto tempo poderá isto ter efeito, na medida em que a partir das 15h já entram em fase de libertação de energias. Vai daí, ou ponho-os a mexer em qualquer coisa ou faço-os rebolar no chão em tom totalmente dramático. O que me alegra é ter sido colocada a dois minutos de casa, regressar e poder apertar o Manel e o maridão, e esperar-me um jantar de sushi com muito envolvimento e charme.
Para trás ficou Monsaraz e a Horta da Moura, onde o Manel se deliciou nas espreguiçadeiras que serviam a piscina,o restaurante Xarez, o calor, as barragens e o conforto dos amigos tão característico de Castelo de Vide. Mas agora, ainda mais na casa nova, já pode vir o frio que pede lanches com chá quente e scones e as mantas que ajudam a fazer o ninho no sofá. Vai ser o primeiro Inverno do nosso besnico e quero que sinta muito calor.
Para trás ficou Monsaraz e a Horta da Moura, onde o Manel se deliciou nas espreguiçadeiras que serviam a piscina,o restaurante Xarez, o calor, as barragens e o conforto dos amigos tão característico de Castelo de Vide. Mas agora, ainda mais na casa nova, já pode vir o frio que pede lanches com chá quente e scones e as mantas que ajudam a fazer o ninho no sofá. Vai ser o primeiro Inverno do nosso besnico e quero que sinta muito calor.
Da mudança
E como se não bastasse a enorme mudança que um filho traz à vida, ainda mudámos de casa. Claro que o motivo também foi o Manel. Precisavamos de espaço para ele e precisavamos de mudar de ares. Agora, já instalados, só apetece celebrar, inaugurar e brindar a esta fase tão feliz!
O balanço aos 3 meses.
Há mais de um mês que não venho a este meu espaço. Muitos terão pensado que era o fim. Mas nunca pensei pôr um ponto a este blogue. Urgia dar um tempo. Era imperativo fazer uma pausa, na medida em que durante este período se foi vivendo um turbilhão de emoções e voltes de face. O Verão de 2009 foi intenso e marcante para toda a vida. Nasceu o nosso tesouro, tudo o que temos de mais precioso. Com a vinda do Manel houve imensos ajustes e tanta gestão, de relações de sentimentos de comportamentos. Um não mais acabar de mudanças e a consciencialização de que a vida muda tanto, muda mesmo...para melhor. Ao início é um choque! O primeiro mês de vida do Manel foi um frenesim. Ainda não nos conhecemos bem, constato agora. O Manel mal saíu do útero começou a ser sobrestimulado, como aliás todos os bebés! E ainda não confiam bem nos pais. Nesta fase inicial, os pais ainda não conseguem dar tranquilidade que o bebé tanto precisa. Também nós andamos a aprender a proporcionar, a conhecer os ritmos do bebé...enfim, um desassossego. Aprendi também que quando são nossos filhos, vamos buscar forças não sei bem onde...talvez às entranhas mais profundas, para entender o bebé, para ele nos poder absorver o mais possível. E o Manel era um bebé super absorvente! Agora, com outra mestria, com outra tranquilidade e o Manel com 3 meses feitos, dou por mim a sentir-me experiente. É óbvio que os stresses com um filho não mais acabam, contudo, não foi a dificuldade dos 2 primeiros meses que me fazem olhar para esse período como um período negro. Foi difícil, mas vale tanto a pena! E isto parece uma frase batida, mas de facto agora sinto na pele, que quando olho para ele, para o meu Manel, e vejo o sorrisão mais lindo e dengoso do mundo, sinto que tudo valeu a pena, e que quero vivê-lo mais vezes. Adorei estar grávida, mas amo ser mãe. Aliás, não há sensação no mundo que se equipare ao sentimento de ser mãe!Ainda por cima quando se é mãe de um bebé de catálogo, lindo de morrer! Como correu tão bem, já me sinto pronta para outra;)
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